O desafio de ser Igreja

 

Sou evangélico desde que nasci.Lógico que isso não significa que desde o berço sou cristão. Gostaria de poder contar que, depois de muito tempo sendo filho de crente, um dia tive um encontro fulminante com Cristo, me converti e passei a ter uma vida maravilhosa ao lado de Jesus. Geralmente estas histórias causam um impacto tremendo nas pessoas, produzem algumas lágrimas no canto dos olhos e você convence todo mundo que agora sim é um crente.

Infelizmente não tenho esta história emocionante para contar, pois na verdade nem sei quando se deu a minha verdadeira conversão (nem sei se ela se deu mesmo). Só sei que depois de ler vários filósofos (que nunca entendi, mas me deixavam empolgados com algumas máximas), sobre Marx (que me fez pensar que uma sociedade justa era possível), alguns livros de auto ajuda (o que confesso com muita vergonha) e até um livro chamado "Monges do Tibet" (que me deixou fascinado com a possibilidade de levitar) comecei a perceber que na verdade tudo o que me empolgava nestas leituras eram pensamentos próximos aos ensinamentos de Jesus e que no evangelho estas ideias eram muito mais perfeitas e possíveis. Quando menos esperei estava deslumbrado com a pessoa de Jesus e extremamente abalado pelos seus ensinamentos, queria vivê-los! Este passou a ser o meu desafio espiritual.

Ainda na minha adolescência, passava horas tentando entender Galatas 5 e confesso que isto me trouxe muito mais amargura do que felecidade. Quando me dei conta que ser cristão era ser divulgador de um Reino com um padrão elevadíssimo de conduta ética e moral (considero Galatas 5:22 síntese desta conduta) e que este anúncio não deve ser feito apenas por palavras mas também por obras (leia Tiago cap. 2), alguns sentimentos passaram a rondar a minha alma:desânimo, conformismo, ceticismo e frustração.

Quando deparei-me com os princípios cristãos e os entendi pela revelação do Espírito Santo, o desejo de vivê-los foi enorme. Mas o meu carater imperfeito me traga para baixo toda vez que consigo dar um passo para cima. Aí se instala o sentimento de desânimo pois penso: "nunca vou alcançar nem um nono do que devo atingir!".Tentando negociar com a consciência, as vezes me conformo com o pouco que consegui, afinal o padrão é muito alto. É quando se instala o ceticismo. Ceticismo não é o mesmo que pessimismo ou falta de fé, é um questionamento agudo que pede provas da veracidade daquilo que se afirma. Meu ceticismo é um tanto engraçado (nem sei se é cetissismo), pois não questiono o cristianismo: questiono se acreditamos mesmo naquilo que professamos. Minha maior dúvida: o homem pós-moderno acredita mesmo no cristianismo? Se acredita, deseja vivê-lo na sua vida real ou se contenta em vivê-lo na virtualidade de seus templos luxuosos, de suas músicas empolgantes, de seus textos bem escritos, de seus eventos improdutivos com nomes criativos, de seus shows travestidos em momentos de louvor, de seus relacionamentos superficiais, de seu discurso batido e vazio de não se conformar com este mundo, de uma adoração vazia de relacionamento com Deus? Diante disso é inevitável a frustração, pois sou induzido a conclusão de que aquilo que busco a vida inteira é extremamente utópico, devo me contentar em vivê-lo virtualmente em momentos raros, rápidos e, algumas vezes, caros...

Se fosse só pela minha vontade ou pela minha racionalidade que são limitadas, eu já teria desistido a tempos de tentar viver o evangelho. O Espírito Santo tem trabalhado através da Bíblia em minha mente e me ajudado a construir algumas convicções que gostaria de compartilhar com quer chegar até aqui.

A primeira dela é que se tornar cristão é um prossesso e não um milagre. Passei parte da minha vida imaginando que um belo dia acordaria o mais santo dos homens porque algo divino se apoderou de mim e limpou toda minha vida, isso seria um milagre.

 



Escrito por SILVANO às 14h37
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EVENTOS CRISTÃOS: UMA GRAÇA PARA POUCOS

 Quero deixar claro uma coisa: não sou contra que a igreja realize eventos. O problema é a motivação dos eventos.

     Sempre que me deparo com a divulgação de algum evento "gospel" o que me salta aos olhos nunca são motivações cristãs do tipo evangelização, altruísmo, estudo da palavra, comunhão, adoração... Estas palavras até estão presentes em cartazes, vídeos, banners e em todo material de divulgação, incluindo a fala dos organizadores que tentam desesperadamente provar que este será o evento religioso de sua vida e que você  não pode ficar de fora, pois a partir desse evento você será uma nova criatura. Mas eu particularmente não consigo perceber um compromisso sincero com estas palavras e creio que todo aquele que busca viver sinceramente os ensinamentos do nosso Mestre fica com a incomoda sensação de que estão diante de uma promessa vazia e de uma graça muito cara. Muitas vezes não consegui entender por que esta sensação e cai no papo barato de que o problema era comigo, eu estava distante de Deus. Hoje entendo que é justamente o contrário: estou mais perto Dele.

Pedindo sabedoria a Deus para meditar sobre este tema, começo a pensar nestes eventos como uma antítese do movimento que se inicia com a Igreja Primitiva. 

Assim, o primeiro elemento estranho à prática cristã que percebo nestes eventos é o ato de exclusão dos mais necessitados. Vamos pensar um pouco: uma pesquisa do IBGE chamada Síntese de Indicadores Sociais divulgada em 2009 mostrou que dos 191,2 milhões de brasileiros, 56,8% tinham renda familiar entre zero e R$ 465 (salário mínimo na época da pesquisa). Pois bem, imagine uma família com três filhos, renda familiar de um salário mínimo e que todos os três estejam empolgados para ter um encontro especial com Deus onde tenham que pagar R$ 190 cada um... Acreditem, as igrejas estão cheias de pessoas nesta condição.

   Uma resposta burguesa, nada cristã e de quem não tem o menor compromisso com o cristianismo a este dilema seria: a igreja pode demonstrar a sua união e fazer várias campanhas e pagar para quem não pode ir. Lindo, desde que este fosse o único problema de uma família que vive com um salário mínimo. Sei que muitas igrejas se mobilizam e resolvem o problema desta forma (o que me preocupa muito), e sei que fazem isso na melhor das intenções, mas reflita um pouco sobre o que ensinamos a um monte de jovem com esta atitude: um evento é muito mais importante do que todas as outras carências que uma pessoa possa ter. Por que não motivar os jovens da Igreja a se mobilizarem para criar um fundo de auxílio à educação de jovens que não tenham dinheiro para fazer cursos que possibilitem uma melhor colocação no mercado, ou quem sabe a criar uma bibliotecas em igrejas onde os jovens tenham dificuldade em obter livros (acreditem, existem muitas cidades no Brasil que não têm livrarias nem bibliotecas), ou quem sabe criar tele centros nas igrejas onde ensinaríamos como usar a internet de uma maneira santa, ou quem sabe criar conservatórios para ensinarmos música e assim equalizar a qualidade musical da igreja, criar ou apoiar centros de recuperação de viciados? Muitos podem responder a esta pergunta da seguinte maneira: isto não é obrigação da igreja, mas do estado. Também acho, mas esse argumento só seria válido se morássemos em um país desenvolvido onde os mecanismos sociais realmente funcionam. Este é um argumento de que não conhece o Brasil (não vale dizer que já foi a Porto de Galinhas, Fernando de Noronha, Búzios, ao centro de São Paulo ou que lê Folha de S. Paulo, Estadão e Veja todo dia). Ou podem dizer que isso é utópico e impossível. Também acho, mas gostaria muito de ver Deus operar este milagre. 

   As pessoas  e suas verdadeiras necessidades estão excluídas da pauta da igreja, deixamos de praticar caridade para praticar eventos e para deixar bem claro o tipo de caridade que me refiro, permitam-me citar a Beata Teresa de Calcutá (ela viveu o cristianismo como poucos):"É preciso que não se satisfaçam com dar dinheiro; o dinheiro não é o suficiente, porque pode encontrar-se. É das nossas mãos que os pobres precisam para serem servidos, é dos nossos corações que eles precisam para serem amados. A religião de Cristo é o amor, o contágio do amor." Aprendo muito mais sobre Deus nesta frase do que em todos os eventos que já fui na minha vida, e lê-la quantas vezes eu queira, não me custa nada.




Escrito por SILVANO às 16h16
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Palavrear é preciso

Motivado por um novo amigo que já é blogueiro de longa data (e que por sinal escreve bons textos) resolvi começar a escrever um pouco neste espaço que tenho há anos, mas nunca tive vontade de alimentar com novos textos. Até tinha alguns (dois pra ser exato) por aqui, só que nunca me preocupei em dilvulgá-los. Acho porque não entendia a função de um blog: palavrear. Como não tem a definição desta palavra nos melhores dicionários da língua portuguesa, tomo a liberdade de definí-la: palavrear ato ou efeito de tentar transformar  ideias, indignação, alegria, raiva, espanto,  revolta, qualquer estado anímico em palavras. Isso deve acontecer com a naturalidade de uma conversa entre amigos, mas, no momento em que escrevo este texto, percebo o quanto isso é difícil... Bom, não custa tentar. Quem sabe se com a prática não vou perdendo o respeito que tenho pela língua em sua forma escrita, ou seria, perdendo o medo de que as pessoas me vejam através dos meus textos.



Escrito por SILVANO às 16h48
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